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22 de Setembro de 2020
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    Parlamentos precisam discutir questão ambiental, diz presidente do Senado japonês

    Senado
    Publicado por Senado
    há 8 meses

    A Câmara dos Conselheiros do Japão, órgão equivalente ao Senado brasileiro, está empenhada na discussão de questões ambientais. A declaração é da presidente da câmara alta japonesa, Akiko Santo. A convite do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ela e uma delegação de parlamentares visitaram o Senado nesta sexta-feira (10) e conversaram com senadores brasileiros.

    De acordo com Akiko Santo, na década de 1970, no Japão, era comum considerar desenvolvimento econômico e meio ambiente pautas não compatíveis. Nos dias atuais, segundo a senadora, a situação mudou e um parlamentar pode ter dificuldade de se eleger se ignorar a questão ambiental

    — Atualmente estamos nos dedicando a essa questão de desenvolvimento de novas energias. Muitos consideram o Japão atrasado na questão ambiental, mas nós queremos ser um país líder nessa questão na Ásia e por isso estamos nos empenhando ao máximo no trabalho nessa área — explicou.

    A necessidade de discutir a questão ambiental, especialmente no que diz respeito a novas fontes de energia, se tornou ainda mais urgente após o acidente nuclear de 2011, quando um tsunami atingiu a Central Nuclear de Fukushima. A contaminação radioativa de territórios ao norte de Tóquio tirou de suas casas mais de 160 mil pessoas e fez com que o governo desativasse reatores nucleares e elaborasse um plano de longo prazo de investimento em fontes alternativas.

    — Há a vontade deles de serem parceiros na questão ambiental, nesse intercâmbio entre Brasil e Japão, até porque o Japão é um dos países que mais sofreram com o aquecimento global. É um país que tem se preparado muito para tais questões e desafios, muito focado na área de energia e meio ambiente. O encontro foi importante para que eles entendam que nós, congressistas brasileiros, também estamos preocupados com a questão ambiental — disse a senadora Leila Barros (PSB-DF), que participou do encontro.

    O senador Hiroshige Seko, do Partido Liberal Democrático, disse considerar o meio ambiente uma questão universal e global, que exige adaptações dos países.

    — Temos que trabalhar muito a questão de resíduo sólido, com base nos 3R da sustentabilidade (reduzir, reutilizar e reciclar). Esse princípio é muito importante — alertou ele.

    Relações bilaterais

    Hoje o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes nipônicos do mundo, com cerca de 2 milhões de nikkeis (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes que nasceram ou vivem fora do Japão). De acordo com o senador Seko, a imigração japonesa para o Brasil, iniciada há mais de 110 anos, torna ainda maior o interesse de fortalecer as relações entre os países.

    — O protecionismo está na moda. O Brasil e o Japão, como grandes países, precisam promover a economia liberal. É necessário criar a regra universal no comércio virtual. Japão e Brasil podem ser líderes nessa área — afirmou.

    O senador Paulo Rocha (PT-PA), que também participou do encontro, destacou o histórico de relação entre os dois países e lembrou o papel dos imigrantes japoneses no desenvolvimento do seu estado, o Pará. Para ele, a visita fortalece ainda mais essas relações.

    — Essa visita é muito importante para nós. Com certeza, nós vamos ter a iniciativa de visitá-los para consolidar mais ainda essa bilateralidade. Estamos no momento em que países preferem brigar do que fortalecer essas amizades e interesses políticos e econômicos. Nós percebemos que os japoneses também querem consolidar essas relações — afirmou o senador.

    Para Paulo Rocha, o Brasil pode contribuir com o Japão com produtos, especialmente na área de alimentos, em troca de tecnologia.

    Congresso

    O senador Hiroyuki Nagahama, do Partido Democrático do Japão, afirmou que, assim como ocorre no Brasil, o Congresso japonês é bicameral, composto por duas casas legislativas. Para ele, a visita servirá para ouvir os senadores brasileiros e colher sugestões que possam ajudar a aperfeiçoar o Congresso do Japão.

    Paulo Rocha lembrou que, no Brasil, o senado muitas vezes sofre com o tempo escasso para analisar projetos e contribuir com mudanças nos textos. O senador explicou aos japoneses que a Câmara dos Deputados, em geral, tem mais tempo para fazer mudanças nos textos.

    A presidente do Senado japonês afirmou que o intercâmbio entre os parlamentares contribui para aperfeiçoar a relação entre os países e entre os dois Congressos. Ela disse considerar que Brasil e Japão enfrentam questões sociais semelhantes, como as reformas na Previdência, e podem trocar experiências e opiniões.

    Akiko Santo também lembrou que o Japão será sede dos Jogos Olímpicos 2020 e afirmou que o Brasil, como último país a sediar as olimpíadas, em 2016, pode contribuir com sua experiência. O esporte foi um dos temas tratados com a senadora Leila Barros, ex-atleta olímpica do Brasil.

    — O Brasil tem uma longa história no esporte. Vamos receber o bastão do Brasil e esperamos que os Jogos Olímpicos em Tóquio sejam maravilhosos — disse a senadora ao agradecer a recepção brasileira.

    Além de Leila Barros e Paulo Rocha, também fez parte da comissão que recebeu os japoneses o senador Acir Gurgacz (PDT-RO). A delegação japonesa também foi integrada pela senadora Mitsuko Ishii; pelos senadores Makoto Nishida e Mikishi Daimon; e pelo embaixador japonês no Brasil, Akira Yamada. Além do encontro com os parlamentares brasileiros, eles participaram de uma visita guiada ao Congresso.

    Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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